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Mãe de criança autista em Caculé trava batalha judicial por tratamento especializado e alerta para a realidade de famílias atípicas no Brasil

Mãe de criança autista acompanha filho durante atividade escolar e simboliza luta diária por inclusão, foto arquivo pessoal

Uma mãe atípica do município de Caculé, no sudoeste da Bahia, ganhou repercussão nas redes sociais após publicar um desabafo sobre a rotina extenuante que enfrenta ao lado do filho. O relato, que rapidamente mobilizou comunidades digitais, revelou não apenas o desgaste diário da maternidade atípica, mas também uma longa disputa judicial em busca de atendimento especializado para a criança.

Campanha por João Hélio denuncia risco de interrupção terapêutica e mobiliza famílias atípicas por direitos, imagem reprodução.

Em contato com a reportagem, Preta Guimarães contou que seu filho Joãozinho, hoje com 7 anos, foi diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) aos 2 anos de idade. Desde então, há cinco anos, a família trava uma batalha nos tribunais para garantir o acesso a tratamento multidisciplinar intensivo. Segundo ela, o menino apresenta regressões importantes no desenvolvimento e possui outros diagnósticos associados ao autismo, o que torna ainda mais urgente e necessário o acompanhamento contínuo.

A luta, porém, tem cobrado um preço alto. Preta revelou que precisou abrir mão de sua vida profissional para se dedicar integralmente aos cuidados do filho e que recebeu diagnóstico de Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), condição associada à preocupação excessiva, ansiedade persistente e esgotamento emocional.

“Às vezes eu me pergunto: será que estou fazendo certo? Será que estou falhando como mãe?”, desabafou.

Em tom de apelo às autoridades, Preta foi direta ao falar sobre a dimensão humana que está por trás dos autos do processo.

“Eu só quero o que é direito. Nenhuma mãe busca a Justiça se realmente estiver tudo bem. Meu filho precisa de atenção 24 horas. Para o município ou para a Justiça pode ser só mais um caso encerrado, mas para mim é a vida do meu filho.”

O caso expõe uma realidade enfrentada por milhares de famílias em todo o Brasil. Especialistas da área da saúde alertam que crianças autistas com elevado nível de suporte e comorbidades associadas podem sofrer regressões severas quando há interrupção ou ausência de tratamento adequado, tornando o acompanhamento multidisciplinar não apenas recomendável, mas clinicamente indispensável.

A situação também reacende o debate sobre a responsabilidade do poder público e sobre a necessidade de maior sensibilidade por parte das autoridades judiciais ao analisar demandas envolvendo crianças neurodivergentes.

Do ponto de vista legal, o caso é amparado por um robusto arcabouço jurídico. A Constituição Federal assegura o direito à saúde e à dignidade da pessoa humana. A Lei Berenice Piana, Lei nº 12.764 de 2012, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, garante acesso ao diagnóstico precoce, tratamento multiprofissional e acompanhamento especializado. A Lei Brasileira de Inclusão, Lei nº 13.146 de 2015, reforça o direito à inclusão, à acessibilidade e ao atendimento integral. Além disso, os princípios do Sistema Único de Saúde determinam que, quando o tratamento necessário não é disponibilizado pela rede pública municipal ou estadual, cabe ao Estado assegurar os meios para garantir o atendimento adequado ao paciente.

Para Preta Guimarães e tantas outras mães atípicas, cada audiência, cada laudo e cada decisão judicial vai muito além do que registra um processo: representa a chance concreta de desenvolvimento, dignidade e qualidade de vida para seus filhos.

Matéria produzida com sensibilidade social e colaboração de Ione Macedo, destacando a luta por tratamento especializado e a defesa dos direitos das crianças autistas e suas famílias.

2 comentários em “Mãe de criança autista em Caculé trava batalha judicial por tratamento especializado e alerta para a realidade de famílias atípicas no Brasil”

  1. A sensação que tenho é que somos invisíveis . Tanto o sistema político e o judiciário tentam tirar de nós o acesso a um tratamento digno , fico mim questionando , ou nao sabem fazer ou nao querem fazer , quem fica no prejuízo somos nós que temos que pagar em dobro o prejuízos . Enquanto tivermos forças vamos lutar .

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