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Atletas com deficiência visual vencem desafios e celebram conquistas na 1ª Volta da UESB

A primeira edição da Volta da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), realizada neste domingo (17) no campus de Vitória da Conquista em comemoração aos 45 anos da instituição, colocou à prova a determinação de atletas de diferentes categorias. Com um percurso quase inteiramente em terra batida e trechos tão estreitos que mal comportavam dois corredores lado a lado, a prova foi palco de momentos especiais na categoria para pessoas com deficiência, protagonizados por atletas com deficiência visual que transformaram cada metro do trajeto em um ato de vencer limites.

Gilbéria Soares Martins e seu guia Pedro Rezende após a 1ª Volta da UESB. Foto: arquivo pessoal

Acostumada às competições, Gilbéria Soares Martins, atleta com deficiência visual, não hesitou em classificar a prova como uma das mais difíceis que já enfrentou. Acompanhada de seu guia, ela precisou de atenção redobrada em um percurso que lembrava mais uma trilha rural do que uma corrida de rua.
“Foi uma das mais desafiadoras que eu já fiz. Foi praticamente parecido com trilha, onde, se eu não me engano, não teve nem um quilômetro de asfalto, tudo terra. E não dava nem para dois corredores passar. Eu fui com o meu guia e foi até um pouquinho complicado a gente passar”, relatou a atleta.
Mesmo diante das adversidades, Gilbéria cruzou a linha de chegada dos 5 km em 27 minutos e já deixou o evento com novos objetivos em mente. Para ela, o esporte é, acima de tudo, um instrumento de transformação pessoal.
“Quando a gente chega no final, eu fiz 5 km em 27 minutos. Foi para mim superação, para mim vencer os limites. E para mim, o esporte transforma, transforma. Quanto mais eu estou terminando essa corrida, eu já estou pensando em outra lá”, disse. A meta seguinte já está traçada: completar os 5 km em 20 minutos e, futuramente, disputar a classificação geral das provas. “Quero superar os meus limites, eu quero chegar um dia à minha meta e eu vou conseguir fazer 20 minutos em 5 km. E talvez até pretendo correr no geral”, afirmou.

Cida Santos (à esquerda) e Rose Oliveira (à direita) celebram a conclusão da 1ª Volta da UESB. Foto: arquivo pessoal

A experiência também foi marcante para Rose Oliveira, atleta com deficiência visual que participou da prova. Mesmo admitindo não estar em sua melhor forma física, Rose destacou a parceria com a guia como um dos pontos altos da corrida.
“Pra mim foi indescritível esse momento. Foi uma corrida competitiva, mesmo estando fora de forma, não ter treinado frequentemente. O guia ou a guia que está fazendo ali aquele trabalho incrível de estar guiando — as duas pessoas estão no mesmo espírito de corrida, uma parceria muito legal, muito bonita”, contou.
Rose já havia participado de outras corridas ao ar livre, como no Cristo e na Olívia, mas ressaltou que a edição organizada pela UESB teve um significado diferente. “Foi uma corrida organizada pela UESB e foi muito bom, um momento muito marcante. Me despertou curiosidades para correr mais e mais e chegar a um nível melhor do que eu estou. Hoje eu estou mais ansiosa para treinar mais, para correr um pouco mais, um pouco melhor”, revelou.
Além da conquista individual, Rose também enxerga no projeto um papel social fundamental para as pessoas com deficiência. “É muito lindo esse projeto porque proporciona às PCDs esse momento de sair dessa zona de conforto sedentária e cuidar um pouquinho mais da saúde, porque exercício físico é necessário e ele é saúde. Pra mim foi muito bom e só gratidão — esse projeto, os guias voluntários que abraçaram esse projeto, muito legal”, destacou.
As falas das duas atletas traduzem o que eventos como a Volta da UESB representam para além da competição. O esporte se consolida como uma poderosa ferramenta de transformação para pessoas com deficiência visual, promovendo saúde física e mental, autoestima e inclusão social. A figura do guia voluntário, parceiro inseparável nas provas de atletismo para atletas com deficiência visual, simboliza também o valor da acessibilidade humana — aquela que não depende apenas de estrutura, mas de solidariedade e comprometimento. Ao romper barreiras em um percurso de terra batida, Gilbéria Soares Martins e Rose Oliveira mostraram que os maiores obstáculos a vencer nem sempre estão no caminho, mas na crença de que é possível ir além.

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