Pular para o conteúdo

acessibilidade360.com

O poder da invisibilidade

Cadeirante diante de escada sem rampa, com placa de acesso bloqueado e ciclovia ao fundo. Imagem/Reprodução

Você já ouviu falar em acessibilidade perversa?
O fato de muitas pessoas não conhecerem esse termo não significa que ele não exista e é justamente sobre isso que precisamos refletir.

O conceito de acessibilidade perversa, definido pelo arquiteto e urbanista Romeu Kazumi Sassaki, refere-se à falsa ideia de inclusão: quando adaptações são feitas de maneira inadequada, apenas para cumprir exigências formais, sem realmente garantir autonomia, segurança e dignidade às pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Ou seja, a acessibilidade existe apenas na aparência, mas não na prática.

Talvez você já tenha se deparado com uma rampa de acesso bloqueada por um poste, com inclinações inadequadas, pisos táteis sendo usados como ciclovia ou até mesmo com a ausência de espaços adequados para cadeirantes circularem nas calçadas. Situações como essas estão presentes no cotidiano e revelam uma realidade que muitos ignoram: a falta de acessibilidade interfere diretamente no direito de ir e vir das pessoas.

A Constituição Federal Brasileira, em seu artigo 5º, garante que todos são iguais perante a lei e assegura o direito à liberdade e à locomoção. Além disso, o Código Civil e a Lei Brasileira de Inclusão reforçam que toda pessoa tem direito à participação plena na sociedade, com autonomia e igualdade de oportunidades. Isso significa que acessibilidade não é privilégio, favor ou gentileza: é um direito fundamental.

Quando falamos sobre equidade e acesso aos serviços, precisamos compreender que a cidade deve ser pensada para todos. A ausência de adaptações adequadas não limita apenas a mobilidade, mas também a liberdade, a autonomia e a dignidade humana.

Por que tantas pessoas ainda precisam ter sua liberdade reduzida pela falta de uma acessibilidade verdadeira?
Por que a diferença ainda incomoda tanto?
Por que algumas pessoas acreditam que alguém com limitações deve permanecer isolado dentro de casa, como se inclusão fosse apenas um favor e não um direito?

Em uma sociedade que se diz evoluída, é necessário questionar: estamos realmente avançando ou apenas mascarando retrocessos?

A verdadeira inclusão começa quando enxergamos o outro com respeito, empatia e humanidade.

Agora, reflita:
O que você tem feito para contribuir com essa mudança?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *